Feira do Livro: Raimundo Jinkings será homenageado
Segunda-Feira, 22/04/2013, 07:41:48 -
Tam A+

(Foto: Leila Jinkings/Divulgação)
Além
de Ruy Barata, o grande homenageado, outra personalidade importante na
atuação política e cultural de Belém, ganhará destaque na XVII Feira Pan
Amazônica do Livro, que vai lembrar a vida e
obra do livreiro e comunista Raimundo Jinkings, que tem uma trajetória
de projeção nacional para o mercado literário e realizou inúmeras ações
de incentivo à leitura em Belém. Podemos dizer que a história recente do
livro em Belém do Pará, passa por ele.O Seminário Raimundo Jinkings
será no dia 4 de maio, no Hangar. Na programação, as palestras:
“Raimundo, relato de vida”, por Isa Jinkings (14h às 15h15) e “Jinkings,
livreiro e formador”, por Amarílis Tupiassu (15h30 às 17h15).
Nascido
entre os trabalhadores rurais, no pequeno povoado de Turimirim,
distrito do município de Santa Helena, no Maranhão, Raimundo Jinkings
chegou a Belém em 1945, aos 18 anos. Era 29 de outubro de 1945, dia da
deposição de Getúlio Vargas, provocada por um golpe do Exército,
determinando o fim do Estado Novo.
Sempre
com ideias de liberdade e democráticos, ele logo cedo começou a
trabalhar como jornalista e bancário, dedicando-se às lutas de
resistência dos trabalhadores contra a exploração capitalista e por sua
emancipação econômica e política. Integrou o Partido Comunista
Brasileiro, foi preso, teve seus direitos políticos cassados e foi
sumariamente afastado de seu emprego em um banco estatal, pelo AI5, em
dezembro de 1968. Era o início de um momento dos mais dolorosos para
muitos brasileiros que lutavam contra a ditadura militar.
Quando
saiu da prisão foi nos livros que Raimundo Jinkings buscou uma
alternativa de sobrevivência. Leitor voraz, havia reunido em sua casa um
rico acervo de livros, que comprava pelo reembolso postal, numa época
na qual Belém carecia de livrarias. Foi esse contato próximo com
editoras do sul do país que deu origem à Livraria Jinkings, ainda hoje é
um marco na vida cultural paraense.
Na
condição de livreiro, Jinkings exerceu importante atividade formativa e
política, preservando seu espírito combativo mesmo diante de um Estado
autoritário, que visava impedir a qualquer custo o pensamento
emancipador. A Livraria fundada por ele converteu-se em um ponto de
encontro de estudantes, professores, artistas e intelectuais em geral
que buscavam ali não somente uma literatura crítica mas também um espaço
de discussão e reflexão sobre os rumos do país.
A
livraria Jinkings, situada na Rua dos Tamóios, no bairro de Batista
campos se manteve atuante até os anos 1990, onde recebi inúmeros
lançamentos de livros, reunindo a criançada em sessões de contação de
histórias, aos sábado pela manhã, além de promover ações fora também, em
sebos montados na Praça da República, onde se podia comprar livros de
formação acadêmica e romances a preços bem baixos. Frequentada por
intelectuais, estudantes e pessoas simplesmente interessadas em ler, a
Livraria Jinkings faz parte do imaginário cultural de Belém.
Para
o filho Álvaro Jinkings, esta homenagem é muito bem vinda. “Ele teve um
papel importantíssimo no mercado literário do Pará, manteve contato com
as principais editoras do sul e sudeste do país, trazendo para
Belém acesso a livros que dificilmente chegariam aqui. E mais, é a
primeira vez que um livreiro será homenageado na Feira Pan Amazônica do
Livro”, finaliza.A XVII Feira Pan Amazônica do Livro abre no dia 26 de
abril, às 19h, no Hangar, com um show que reunirá grandes nomes da
Música Popular Paraense. “Vamos fazer um passeio pelo nosso repertório
mais clássico. Teremos canções de Waldemar Henrique, Mestre Isoca, Chico
Senna, Ruy Barata, interpretados por Camila Honda, Nana Reis, Liah
Soares, Olivar Barreto e Paulo André Barata. Será um grande painel
musical da nossa música autoral”, diz o músico Luiz Pardal, diretor do
show. Além das interpretações de canções de autoria de compositores, que
marcam a história da música paraense, a apresentação vai contar ainda
com Tony Soares, Almirzinho Gabriel e Ronaldo Silva, entre outros.
SERVIÇO
A
Feira do Livro, no dia 26 de abril, só será aberta às 19h. A partir do
sábado, 17, ficará aberta das 10h às 22h, no Hangar, com entrada franca.
Realização da SECULT e Secretaria Especial de Promoção Social, do
Governo do Estado. Leia a programação no site:
www.feiradolivro.pa.gov.br
(Diário do Pará)
Nenhum comentário:
Postar um comentário